Conexão Irino

Conexão cura e milagre

Meus últimos trabalhos após minha recuperação de duas cirurgias graves, foram como dar configuração aos crânios curadores, entre eles o trio de Xavier(Xavier, Alma e Luz) e Devine, um crânio especial, pelas lições que ele ainda me passa.

Este cíclo criativo ensinou a me recuperar e a ajudar a recuperar crânios e seres que antes, por vaidade, considerava vazios, perdidos e por isso, este processo de recuperação, vai além de uma escultura de arte em pedras, é pessoal também. É tratar meu corpo, meu espírito e reconfigura minha linguagem social.  Minha relação ética, estética e moral com o outro, o meu próximo.

Esta reconfiguração significante me pôs a pensar e entender a dificuldade da cura e do milagre. A cura existe fora do milagre e o milagre vai muito além do que consideramos cura. Cura e milagre são dois significantes com cargas energéticas e simbólicas, parecidas, mas de profundidade espiritual diferentes.

A questão que pretendo relatar neste escrito, traz a experiência que tive nestes últimos anos em processos onde pude ter acesso ao milagre e à cura. Nestes processos, a simplicidade e perseverança (fé), me ensinaram a ser mais humilde, agradecer mais e pedir menos.

Tal percepção nos permite enxergar o que precisamos buscar para sermos mestres de nós mesmos e através da nossa existência e conhecimento das nossas vaidades e erros, podermos entender sem preconceito, o processo existencial de cada criatura que existe ao nosso redor.

É a simplicidade de entender, regada de fé, que me motiva e me permite, me dá direito a interferir na configuração de cada ser que eu toco, sem expectativa pessoal. Ao final o ganho é a beleza pura que ficou escondida pela falta de paciência.

A pressa em atender desejos individuais, ditos urgentes, nossa vaidade social ou fisiológica, longe do amor incondicionado, mas ligados à matéria racional sem apego espiritual, presos ao desejo que angustia e não te permite crescer (crer e ser). Vejo que esta configuração estética “moderna” confundiu e modificou a comunicação, tanto física como espiritual, e o padrão moral se tornou uma postura que corrompe a cura.

Os milagres só existem dentro de um planejamento ético, estético e moral, programados para uma significação logica monetária.

O surgimento destes crânios, me mostraram o quanto é simples e ao mesmo tempo perigoso, usar as mãos para tentar mudar algo que está pronto. O trabalho de lapidação não é mais da pedra bruta, foge da simplicidade, do criar partindo da inspiração pessoal.  A arte representa todos os institutos de regulação espiritual e social, saber e respeitar isto, é o anel de mestre, o carimbo que dá ao artista o passe livre para expressar. Por tanto, entendo com muita fé, que tanto a cura como o milagre existem.

Trabalhar na reconfiguração destes crânios, que considero seres de luz, me mostrou que a cura é possível, se houver interesse de quem vai curar e quem vai ser curado.  O processo não é gratuito, o pagamento é o comportamento mutuo. Os milagres estão fora do nosso alcance enquanto a conexão com o nosso espirito e as leis da simplicidade, amor e humildade estiverem perdida.

    Leandro de Souza
julho/2020

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *